segunda-feira, 5 de maio de 2014


Há meses que não nos falamos. Os meus dias não fazem mais parte dos teus. As minhas noites passaram a ser absorvidas pela insónia que teima em não desaparecer.  Agora não caminhamos juntos com o mesmo circuito. Às vezes encontramo-nos por aí, nos meros acasos do destino. Outras vezes, eu não passo por ti, tu não passas por mim e o buraco enorme da ausência paira em nós.Nunca mais tive a sorte de acordar e ver o melhor sorriso que alguma vez já vi, ou melhor, nunca mais tive a sorte de ser a causa do teu melhor sorriso. Nunca mais tive a sorte de ser surpreendida pelos teus cozinhados, meios desastrados, mas os melhores. Na verdade era isso que eu mais gostava em ti: a tua coragem de errar, os teus defeitos imutáveis, o teu jeito meio desastrado de ser. Tu nunca foste igual a todo o mundo, e talvez, tenha sido por isso que eu descobrira um novo motivo para te amar todos os dias. Os dias comuns e a nossa rotina é o que mais me faz falta. Eu ficava irritada quando tu teimavas em querer fazer cocegas na minha barriga ou fazer aquele barulhinho insuportável ao meu ouvido. Irritada quando queria dormir e tu não me deixavas. Mas eu adorava, adorava quando tu me irritavas. Quando no meio de uma discussão tu metias-me um sorriso na cara, ou no meio das minhas palavras estupidas, um beijo teu me calava. Queres saber um segredinho? Por um lado um gostava das nossas discussões, ou melhor eu gostava da maneira como fazíamos as pazes. Tu conseguias vencer o meu orgulho. O meu orgulho que é só a maior coisa neste mundo. Ou melhor, tu conseguias vencer tudo, bastavas seres tu.O frio da nostalgia é mais doloroso e ameaçador do que qualquer lugar neste mundo que planejaríamos viajar. Tenho saudades dos nossos planos e da vontade que tínhamos em realiza-los. E também tenho saudades do teu perfume na minha roupa e do som do teu riso exagerado.Eu fiquei perdida sem ti para me encontrares e me trazes de volta. O tamanho da felicidade que me proporcionaste não chegou a um terço da dor que a tua partida me causou. Sempre me habituaste a ouvir um ‘aconteça o que acontecer lutarei por ti até ao fim.’. Deus parecia estar me a dar um grande presente quando fez com que os nosso caminhos se encontrassem, mas hoje não sei ao certo se a intenção era castigar-me. De qualquer forma, foi bom. Foi amor. É amor. Um amor estranho, de costas para a realidade. ‘Até que um dia a razão matou a emoção e fez o nosso conto de fadas desmoronar.’O tempo passou e nós passamos do tempo, ou melhor, tu foste com o tempo, e este revolveu parar em mim. Seis meses. Foram seis meses após o teu último ‘amo-te’. E o meu amor permanece aqui, guardado dentro de mim. Só eu e tu sabemos. Eu fui feita por ti, e se hoje nada deu certo, isto não é sobre o fim de um amor, é sobre o meu fim.~




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